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sábado, Fevereiro 08, 2014

 

Carta aberta a Juan Miró


Meu caro João:

Creio que a ida deliberada a Barcelona, após a subida da colina de Montjuïc, para ver na Fundação com o teu nome a primeira retrospetiva da tua obra, me permite o tratamento que, com três décadas de defunção, já não estás em condições de recusar. E sempre me permites dar um ar de intimidade que valoriza o ego de um representante dos nano-mini-micro-intelectuais.

Devo dizer-te, João, que prefiro Picasso, mas sou sensível à plêiade de geniais catalães onde te englobo com Antoni Tàpies, Salvador Dali e Antonio Saura. Nem só de Picasso vive o espírito.

Foi há muitos anos. Algumas vezes lembraste-me Vincent van Gogh e Paul Cézanne e, outras, julguei que estavas a gozar comigo, mas a tua imaginação seduziu-me sempre. Não tenho a veleidade de ter compreendido sempre a pintura, a escultura e a cerâmica com que seduziste os beatos do surrealismo e do dadaísmo, mas aprendi a gostar de ti.

E não foi para falar de ti, muito menos de mim, que te escrevo. Foi para te dizer que um alto governante cavaquista, acusado de perdoar dívidas fiscais a troco de donativos para o partido, talvez calúnia a quem era governante e cavaquista, nódoas indeléveis de quem virou banqueiro e se habituou a defraudar o BPN, o nome não te diz nada, era o banco do regime onde a fina flor do cavaquismo se repoltreou.

E dirás tu, meu caro João, é assim que em português dizemos Juan, dirás tu – dizia eu – o que tens a ver com isso? Pois, é aí que a tua glória se junta à nossa desgraça. Esse tal banqueiro e um bando de outros safados dissiparam mais de 8.000 milhões de euros, eu sei que não sabes o que é isso do euro, quando, com 90 anos, viraste defunto os quadros só eram transacionados em pesetas, dólares e francos. Mas eu informo-te, é a moeda que Portugal tem cada vez mais em dívida púbica e em entregas de particulares em offshore.

Não é que esse desmiolado banqueiro comprou 85 quadros teus em estranha conivência com o genro de um tal Aznar que era devoto de Franco, de quem deves recordar-te, mas que teve de governar em democracia, sim, dessas que havia em França e Inglaterra.

O genro desse Aznar teve artes de se aproveitar com a venda dos teus quadros, os filhos saem aos pais mas em Portugal e Espanha agora são os genros e, do negócio, o que resta são o acervo de uma magnífica coleção que representa todos os períodos da tua vida de pintor.

Era uma recordação cara que nos ficava de ti, meu caro João, um chamariz para os teus devotos se deslocarem a este país cada vez pior frequentado, uma mostra expressiva do teu talento que uns exóticos detentores do poder querem vender por atacado e a pataco.

Terias vergonha deles. Mentem e olham as telas como quem vê o negócio de molduras e até há quem se fixe no interior dos caixilhos a perscrutar o sorriso de vacas nos prados.

Esta carta já vai longa, João. Ainda bem que continuas morto. Se soubesses a história do BPN e dos teus quadros, morrerias de riso, como nós morremos de vergonha, da dívida e de raiva. Tu que inspiraste André Breton e que Matisse representou em Nova Iorque, acabaste numa coleção de Oliveira e Costa com a conta a ser apresentada a todos nós.

Aceita um abraço enviado deste cemitério da inteligência e da cultura, de um teu amigo.

Carlos Esperança.

Nota: Extraído da página pessoal, do autor, no facebook.

quarta-feira, Novembro 06, 2013

 

A bíblia ensina como proceder para violar a irmã.

 

Fingir-se doente; pedir ao pai para mandar a irmã levar-lhe o comer à cama e ......

Amnon desonra Tamar

2 SAMUEL 13
1Absalão, filho de David, tinha uma irmã muito bonita, chamada Tamar. Um dia aconteceu que Amnon, que também era filho de David, mas de mãe diferente, se apaixonou por Tamar. 2E de tal modo se apaixonou que acabou por ficar doente, pois Tamar ainda era virgem e ele achava que era impossível encontrar-se com ela. 3Mas Amnon tinha um amigo muito esperto. Chamava-se Jonadab e era filho dum irmão de David chamado Chamá. 4Este perguntou a Amnon: «Que é que se passa contigo, ó príncipe, que dia após dia pareces andar mais abatido? Não mo queres dizer?» Amnon confidenciou-lhe: «Estou apaixonado por Tamar, a irmã do meu irmão Absalão.» 5Então Jonadab aconselhou-o: «Deita-te na cama e finge-te doente. Quando teu pai te vier ver, diz-lhe: “Por favor, manda a minha irmã Tamar vir ter comigo, para me dar de comer e preparar a comida diante de mim. Se eu comer das mãos dela, já ganho apetite.”» 6Amnon deitou-se e fingiu-se doente. Quando o rei o veio visitar, disse-lhe: «Por favor, manda a minha irmã Tamar vir ter comigo! Que ela me prepare, aqui, na minha presença, dois pasteizinhos e mos dê de comer.» 7Então David mandou dizer a Tamar, que estava em sua casa: «Peço-te que vás a casa do teu irmão Amnon e lhe prepares alguma coisa de comer, para ele ficar melhor.» 8Tamar dirigiu-se a casa do seu irmão Amnon, que estava deitado. Pegou na farinha, amassou-a e fez os pastéis à vista dele. 9Depois de estarem prontos, pegou na sertã e ofereceu a comida a Amnon. Mas este não quis comer e disse: «Mandem sair toda a gente.» Imediatamente saíram todos. 10Depois disse a Tamar: «Traz a comida ao meu quarto, pois só serei capaz de comer se fores tu a dar-ma.» Tamar pegou nos pastéis que tinha cozinhado e levou-os ao quarto do seu irmão. 11Quando ela se aproximou dele com a comida, Amnon agarrou-a e disse-lhe: «Vem, minha irmã, e deita-te comigo.» 12Mas ela respondeu-lhe: «Não, meu irmão. Não me desonres, porque isso é proibido em Israel. Não cometas uma tal infâmia! 13O que será de mim, se tu me desonrares? E também tu serás para sempre um desgraçado em Israel. Fala ao rei, que ele não se vai opor a que eu seja tua mulher.» 14Mas Amnon não a quis ouvir e, como era mais forte do que ela, violentou-a e desflorou-a. 15Em seguida, Amnon começou a sentir por ela uma aversão tal que ainda era maior do que o amor que antes lhe tinha. Tomado desta aversão, disse-lhe: «Levanta-te e vai-te embora.» 16Ela respondeu-lhe: «Não me expulses, porque esta maldade ainda seria pior que a que me acabas de fazer.» Mas ele não lhe deu ouvidos. 17Chamou o seu criado e ordenou-lhe: «Põe esta mulher na rua, longe de mim, e depois fecha a porta.» 18O criado cumpriu as ordens: pô-la na rua e fechou a porta. Tamar vestia uma túnica de mangas compridas, que era o vestido próprio das filhas do rei, enquanto solteiras. 19Rasgou a túnica, colocou cinza na cabeça, e, com as mãos postas em cima da cabeça, pôs-se a caminho aos gritos. 20Quando o seu irmão Absalão a viu, perguntou-lhe: «Foi o teu irmão Amnon que te fez isso? Não o digas a ninguém, porque ele é teu irmão. Não te apoquentes demasiado.» E Tamar ficou em casa do seu irmão Absalão, triste como uma mulher abandonada. 21Quando o rei David teve conhecimento de tudo isto, ficou muito aborrecido. 22Por seu lado, Absalão deixou de falar a Amnon, e odiava-o por ter desonrado a sua irmã Tamar.
 
Comentário:
"A bíblia é um manual de maus costumes”
José Saramago

terça-feira, Novembro 05, 2013

 

A bíblia apresenta deus como um ser imoral e injusto.

Deus, premeia um violador, que mandou matar o marido da vítima e mata a criança fruto dessa violação. Em compensação, o violador, toma a viúva por mulher (mais uma!) e dá-lhe mais filhos como recompensa do, inocente, que matou.


Está na Bíblia:
2 Samuel 11 David e Betsabé
1No ano seguinte, pela primavera, que é a época em que os reis costumam sair para a guerra, David enviou Joab e os seus oficiais, com todo o exército israelita, para irem destruir os amonitas e cercar a cidade de Rabá. Mas David ficou em Jerusalém. 2Uma tarde, depois de se ter levantado da cama, David pôs-se a passear pelo terraço do seu palácio e avistou dali uma mulher muito bonita que estava a tomar banho. 3 Mandou saber quem era essa mulher e disseram-lhe que era Betsabé, filha de Eliam e esposa de Urias, o hitita. 4David enviou mensageiros para que lha trouxessem, e ela foi; David dormiu com ela e depois ela voltou para casa. Ora Betsabé estava no tempo de purificação depois do seu período menstrual. 5Betsabé ficou grávida e mandou informar David do acontecido. 6Então David ordenou a Joab que lhe mandasse Urias, o hitita, e Joab cumpriu as ordens. 7Quando Urias apareceu diante de David, este perguntou-lhe como estavam Joab e o exército, e como iam as coisas na guerra. 8Em seguida pediu-lhe que fosse para sua casa e que descansasse um pouco. Urias saiu do palácio e o rei mandou alguém, logo atrás dele com um presente. 9Mas Urias, em vez de ir para casa, passou a noite às portas do palácio juntamente com os soldados da guarda real. 10Foram contar a David que Urias não tinha ido para sua casa, e, por isso, o rei perguntou-lhe: «Por que é que não foste para tua casa, depois da viagem que fizeste?» 11Ao que Urias respondeu: «A arca da aliança do Senhor, os soldados de Israel e de Judá dormem debaixo de tendas. Também Joab, o meu chefe, e os seus oficiais dormem em campo aberto. Como é que eu poderia ir para minha casa, para comer e beber e para me deitar com a minha mulher? Juro pela vida do rei que nunca faria tal coisa.» 12Então David ordenou-lhe: «Fica hoje aqui e amanhã deixarei que regresses.» E Urias ficou em Jerusalém para o dia seguinte. 13Entretanto David convidou-o para comer e beber com ele e embriagou-o. À noite, Urias saiu e foi dormir com os soldados da guarda real, mas não foi para sua casa. 14Pela manhã seguinte, David escreveu uma carta a Joab e enviou-lha por Urias. 15Na carta dizia: «Coloca Urias na frente, onde o combate for mais renhido; depois deixem-no só, para que seja ferido e morra.» 16Aconteceu, pois, que Joab fazia o cerco à cidade e pôs Urias no lugar onde sabia que estavam os soldados inimigos mais valentes. 17Quando os soldados que defendiam a cidade saíram para lutar contra Joab, morreram alguns dos oficiais de David e entre os mortos encontrava-se Urias, o hitita. 18Joab enviou a David informações detalhadas sobre o combate 19e deu as seguintes instruções ao mensageiro: «Quando acabares de contar ao rei todos os pormenores do combate, 20se ele, indignado te disser: “Por que é que se aproximaram tanto da cidade para lutar? Por acaso não sabiam que eles lançam objetos do alto da muralha, 21tal como aconteceu em Tebes, quando uma mulher matou Abimelec, filho de Jerubaal, lançando-lhe da muralha uma pedra de moinho? Por que é que, então, se aproximaram tanto da muralha?” Então tu lhe dirás: “Também morreu Urias, o hitita, oficial do rei.”» 22O mensageiro partiu e contou ao rei tudo quanto Joab lhe tinha mandado. 23Ele disse ao rei: «Os inimigos saíram contra nós a lutar em campo aberto e eram mais fortes que nós, mas nós fizemo-los retroceder até à entrada da cidade. 24Mas do alto da muralha, os arqueiros dispararam as suas flechas contra as tropas do rei e morreram alguns dos oficiais, entre eles Urias, o hitita.» 25Então David respondeu ao mensageiro: «Diz a Joab que não se aflija por causa destas mortes, porque são coisas que acontecem na guerra. Ele que ataque a cidade com mais coragem até a destruir. E tu vê lá se o encorajas.» 26Ao ter conhecimento da morte do seu marido, a mulher de Urias guardou luto por ele. 27Passado o período de luto, David mandou que a fossem buscar para o seu palácio. Casou com ela e ela deu-lhe um filho. Mas o procedimento de David desagradou ao Senhor.
 
2 SAMUEL 12:
...
 9Por que é que desprezaste a minha palavra e fizeste o que me desagrada? Mataste Urias, o hitita, servindo-te dos amonitas para o matar, e ficaste com a sua mulher. 10Uma vez que me desprezaste, apoderando-te da esposa de Urias, o hitita, nunca mais a violência se afastará da tua casa. 11Eu, o Senhor, declaro solenemente: Vou fazer que o teu castigo venha da tua própria família. Pegarei nas tuas mulheres à tua vista e entregá-las-ei a um outro da tua família, que dormirá com elas em plena luz do dia. 12Tu agiste em segredo, mas eu vou atuar abertamente diante de todo o Israel e à plena luz do dia.”» 13David disse então a Natan: «Pequei contra o Senhor!» E Natan respondeu: «O Senhor perdoa-te o teu pecado; por isso não morrerás. 14Mas como ofendeste gravemente o Senhor, o teu filho recém-nascido terá de morrer.» 15Natan regressou a casa e, entretanto, o Senhor deu uma doença grave ao filho que David tinha da mulher de Urias. ... 18Sete dias depois, a criança morria. Os responsáveis da corte tinham medo de dizer a David, pois pensavam: «Quando a criança estava viva, nós bem lhe pedíamos, mas ele não fazia caso. O que será agora, quando lhe dissermos que a criança morreu? Pode cometer alguma loucura!» 19Mas David notou que os responsáveis da corte cochichavam entre si e logo compreendeu que a criança devia ter morrido. Por isso, perguntou-lhes: «A criança morreu?» E eles responderam: «Sim, morreu.» 20Levantou-se então do chão, tomou banho, perfumou-se e mudou de roupa. Depois foi ao templo para adorar o Senhor. Em seguida voltou a casa e pediu que lhe servissem uma refeição e comeu. 21Os oficiais da corte perguntaram-lhe: «Mas como se explica isto? Quando a criança ainda estava viva, o rei jejuava e chorava por ela; e agora que já morreu, o rei levantou-se e pôs-se a comer!» 22David respondeu-lhes: «Quando a criança ainda vivia, eu jejuava e chorava pensando que talvez o Senhor tivesse compaixão de mim e a deixasse viver. 23Mas agora que morreu, para que hei de jejuar mais, se não posso fazer que ela volte à vida? Eu irei um dia para junto dela, mas ela não voltará mais para junto de mim.» 24David foi consolar Betsabé, sua mulher. Foi visitá-la e teve relações com ela e ela deu à luz um filho a quem David pôs o nome de Salomão. O Senhor amava a criança, 25e assim o fez saber a David por meio de Natan, o profeta. David, em atenção a isso, deu-lhe o nome de Jedidias, que significa «amado do Senhor».” David conquista Rabá 26Entretanto Joab lançou um ataque contra a cidade amonita de Rabá. Já estava prestes a capturar a cidade real, 27quando enviou a David a seguinte mensagem: «Ataquei a cidade de Rabá e já me apoderei dela, que protege os reservatórios de água. 28Peço ao rei que reúna o resto das tropas e venha atacar a cidade e conquistá-la; não queria ser eu a fazê-lo, ficando com a honra de a ter conquistado.» 29Então David reuniu todas as suas tropas; pôs-se em marcha contra Rabá, atacou-a e conquistou-a. 30Tirou da cabeça de Milcom, do ídolo dos amonitas, a coroa de ouro, que pesava cerca de trinta e cinco quilos e continha pedras preciosas, e colocaram-na na cabeça de David. David apoderou-se também duma grande quantidade de despojos da cidade. 31Quanto aos habitantes, deportou-os e pô-los a trabalhar com a serra, a picareta, o machado e no fabrico de tijolos. E, depois de ter feito o mesmo com todas as cidades dos amonitas, regressou com as suas tropas para Jerusalém.
 
Comentário:
Como dizia José Saramago "A Bíblia é um manual de maus costumes."

segunda-feira, Setembro 23, 2013

 

Neurocientista afirma que Jesus, Abraão e Maomé eram esquizofrénicos.


Para Miguel Nicolelis apenas a esquizofrenia pode explicar porque esses personagens ouviam vozes do céu.
 
Miguel Nicolelis é um dos mais renomados neurocientistas brasileiros, mas em entrevista para a revista Planeta ele deu uma declaração bastante polêmica afirmando que a humanidade é dominada por três esquizofrênicos: Jesus, Maomé e Abraão.
Ele explicava para o repórter que há uma linha tênue que separa as pessoas ditas como normais e anormais, pois o cérebro humano pode sair facilmente do estado normal e evoluir para o patológico.
Sobre sua afirmação ele explica porque acredita que os três personagens que são importantes para as três maiores religiões do mundo – Cristianismo, Islamismo e Judaísmo – podem ser considerados como pessoas “anormais”.
“Nos dias de hoje, aliás, a humanidade curiosamente é dominada por três esquizofrênicos que ouviam vozes, olhavam para o céu e achavam que alguém estava falando com eles”, disse Nicolelis.
 
O repórter então pergunta quem seriam esses personagens e ele responde: “Jesus Cristo, Maomé e Abraão. Muito provavelmente os três precisavam de haldol (medicamento para esquizofrenia). É arbitrária qualquer classificação que defina as bordas da normalidade”.
Assumidamente ateu, o neurocientista diz também que em sua opinião a religião faz parte do sistema nervoso. “Como o cérebro é um simulador da realidade, ele cria um modelo e uma ilusão de realidade para cada um de nós. Ele precisa de uma história: de onde viemos? Como começou o universo?”.
Miguel Nicolelis não é conhecido apenas no Brasil, mas divide suas atividades em outros dois países: Estados Unidos e Suíça. Para a Copa de 2014 ele pretende colocar um adolescente brasileiro tetraplégico para dar o pontapé inicial aos jogos usando uma veste robótica controlada pela força do pensamento.

(Notícias GOSPELPRIME)

quinta-feira, Maio 09, 2013

 

Crime, pecado e laicidade

Por Carlos Esperança:

 «Os meus leitores não precisam de explicações sobre a origem etimológica das palavras «ética» e «moral», conforme a origem, grega ou latina. A moral, por muito que nos doa, é a ciência dos costumes.

O homem é hoje mais tolerante do que o das cavernas e os sedentários mais clementes do que os nómadas. Não é por acaso que os deuses, criados em épocas recuadas, trazem a marca genética das tribos patriarcais que os conceberam.

Há alguns séculos ainda se engordavam mulheres para consumo humano e a escravatura era aceite. O direito de saque, incluindo mulheres, a tortura, as mutilações e execuções, e muitas outras barbaridades, eram morais e, pior, legais. Basta ler o Antigo Testamento para se ter uma ideia do cardápio de crimes que Deus consentia. Ainda hoje, a mutilação e os castigos corporais fazem parte dos códigos penais, sem esquecer pena de morte que países ditos civilizados ainda praticam. E não me refiro a países que fundem a religião e a política, aplicando a sharia, numa demência fascista de sabor medieval.

A igualdade de género, uma exigência ética, o mais elementar dos direitos, é tão recente (e ainda tão periclitante) que nos admiramos como foi possível suportar a iniquidade até aos nossos dias. E falem de igualdade de género em meios rurais ou em países poluídos pela tradição e pela fé!

A gravidade não reside tanto na injustiça cruel que a discriminação pressupõe como na implacável insânia de querer fazer do preconceito uma obrigação universal.

É aqui que entra o pecado. Abandonar uma religião para aderir à «nossa» é heroísmo e sair, para aderir a outra ou a nenhuma, é apostasia, o ato de traição punível com a morte, efetiva ou simbólica, conforme a evolução civilizacional e o grau de secularização.

É irrelevante que alguém acredite num ser hipotético que gosta de espiar pelo buraco da fechadura e abomina a sexualidade, mas é incrível que alguém ameace com as penas do Inferno e queira que os outros se verguem às suas crenças. O proselitismo é a lepra que corrói o espírito ecuménico que alegadamente tantos defendem.

Não é problema haver quem veja um pecado grave no consumo da carne de porco ou do álcool e abomine a heresia, a apostasia ou o sacrilégio, mas é horrível que essas crenças sejam impostas a quem as dispensa e se castigue quem as despreza.

Por urbanidade seria incapaz de ultrajar quem viaja de joelhos à volta de uma capela ou faz maratonas pias até chegar a um santuário onde a superstição localiza fenómenos de natureza transcendental, mas a fé não é um ato da vontade e há cada vez mais pessoas que não distinguem uma procissão do Senhor dos Passos do desfile da queima das fitas, a não ser pelo consumo de cerveja ou cheiro a incenso.

O adultério é reprovável, como qualquer ato de falsidade, e não se admite que o Estado o criminalize, mas Camilo foi preso por adultério e muitas mulheres foram mortas, sem castigo para os assassinos, pelos maridos que alegadamente traíam.
A laicidade, um conceito de matriz republicana, separou o direito penal do canónico. Já ninguém é penalizado (pelo menos, sob o ponto de vista legal) por considerar obsoletas as recomendações canónicas, falsos os milagres e um embuste a transubstanciação.

A laicidade separou o sagrado do profano. Os trinta artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos trouxeram mais felicidade do que todos os livros sagrados, de todas as religiões juntas, em todos os seus versículos.

O desejo de uma vida para além da morte é respeitável, se não tiver em vista a conquista de novos crentes e a fanatização dos que já o são. A transmissão de crenças às crianças reduz a liberdade e coarta o seu desenvolvimento harmonioso. É por isso que hoje, nas madraças e mesquitas, como ontem, nas igrejas e conventos, se criam fiéis capazes de morrerem e matarem, por um mito, em busca de rios de mel e de virgens que aguardam os delinquentes de Deus à chegada ao Paraíso imaginário.

A laicidade é uma exigência sem a qual não há democracia nem direito à dignidade e ao livre-pensamento.»

sexta-feira, Março 29, 2013

 

A Páscoa segundo a bíblia:

Segunda a bíblia, a Festa da Páscoa não tem nada a ver com ressurreição mas sim com a morte, dos inocentes Egípcios, anunciada e executada por deus aos Israelitas para comemorarem e festejarem.


Êxodo 12
1 No Egipto, o SENHOR falou com Moisés e Aarão e disse-lhes: 2 «Este mês será o vosso mês mais importante e o primeiro dos meses do ano. 3 Digam a todo o povo de Israel o seguinte: No dia dez deste mês cada um de vós escolha um cordeiro por família, um por cada casa. 4 Se a família for pequena para comer todo o cordeiro, então o chefe da família e o seu vizinho mais próximo comerão juntos, repartindo o cordeiro conforme o número de pessoas e a quantidade que cada um pode comer. 5 O cordeiro não deverá ter defeitos, deve ser um macho de um ano; em vez de cordeiro, pode ser um cabrito. 6 Deverão guardá-lo até ao dia catorze deste mês e, nesse dia, todos os israelitas o matarão, ao entardecer. 7 Com o sangue do animal marquem as duas ombreiras e a verga da porta da casa onde o estiverem a comer. 8 Nessa noite comerão a carne assada ao lume, com pão sem fermento e com plantas amargas. 9 Não comam nem um só pedaço da sua carne crua ou cozida em água; apenas assada ao lume, mesmo a cabeça, as patas e as miudezas. 10 Não devem deixar ficar nada para o dia seguinte; o que dele sobrar para o dia seguinte deve ser queimado. 11 Quando comerem o cordeiro ou cabrito, deverão estar vestidos como se fossem viajar, ter os pés calçados e o cajado na mão e comer depressa, pois é a Páscoa do SENHOR. 12 Nessa noite, passarei por todo o Egipto e farei morrer o primeiro filho de todas as famílias egípcias e a primeira cria de todos os seus animais e exercerei a minha justiça contra todos os deuses do Egipto, porque eu sou o SENHOR. 13 O sangue há-de servir-vos para assinalar as casas onde se encontram. Assim, quando eu vir o sangue, passarei adiante e nenhum de vós morrerá, quando eu ferir de morte os egípcios. 14 Esse dia deverá ser entre vós recordado e celebrado com grande festa em honra do SENHOR. Ficam obrigados a celebrá-lo para sempre, bem como os vossos descendentes. 15 Durante sete dias, comerão pão sem fermento; portanto, não deverá haver fermento nas vossas casas, desde o primeiro dia. Todo aquele que comer pão com fermento, durante esses sete dias, será excluído do povo de Israel. 16 Tanto no primeiro dia como no sétimo, deverão reunir-se para uma assembleia solene de oração. Nesses dias não se trabalhará, a não ser o que é preciso fazer para cada um preparar a sua comida. 17 A festa dos pães sem fermento é uma festa que deverão celebrar, porque naquele dia fiz sair o povo de Israel do Egipto como um exército. É uma obrigação que também os vossos descendentes têm de celebrar para sempre. 18 Comerão pão sem fermento, desde a tarde do dia catorze, até à tarde do dia vinte e um do primeiro mês. 19 Durante sete dias não deverá haver fermento nas vossas casas, e todo aquele que comer pão com fermento será excluído da comunidade de Israel, quer seja estrangeiro, quer seja israelita. 20 Portanto, não comam nada que tenha fermento; onde quer que vivam, deverão comer pão sem fermento.» 21 Moisés mandou chamar todos os anciãos de Israel e disse-lhes: «Vão escolher um cordeiro ou um cabrito, por cada uma das vossas famílias, e matem-no para celebrar a Páscoa. 22 Em seguida, peguem num ramo de hissopo e embebam-no no sangue, que estará numa bacia; depois marquem com esse sangue a verga e as duas ombreiras da porta. Nenhum de vós deverá transpor o limiar da porta até de manhã. 23 Quando o SENHOR passar para ferir de morte os egípcios, ao ver o sangue na verga e nas duas ombreiras da porta, passará adiante e não deixará que a destruição entre nas vossas casas. 24 Respeitem, portanto, esta lei, como lei eterna para vós e para os vossos descendentes. 25 E quando entrarem na terra que o SENHOR vos dará, como prometeu, deverão continuar a celebrar esta festa. 26 E quando os vossos descendentes perguntarem o que é que ela significa, 27 devem responder-lhes: “Isto é o sacrifício da Páscoa, em honra do SENHOR, porque quando ele feriu de morte os egípcios, livrou as casas dos filhos de Israel no Egipto e poupou as nossas famílias.”»Então os israelitas inclinaram-se em adoração 28 e foram cumprir o que o SENHOR tinha ordenado a Moisés e a Aarão. 29 A meio da noite, o SENHOR feriu de morte o primeiro filho de todas as famílias egípcias, desde o filho do faraó, o herdeiro do trono, até ao filho do que estava na prisão, e ainda a primeira cria dos animais. 30 O faraó e os seus servidores e todos os egípcios levantaram-se durante a noite e houve grandes gritos de dor em todo o Egipto. Não havia uma única casa em que não houvesse um morto. 31 Nessa mesma noite, o faraó mandou chamar Moisés e Aarão e disse-lhes: «Vão-se embora! Saiam do meio do meu povo, vocês e os filhos de Israel. Vão adorar o SENHOR, como disseram. 32 Podem levar também as vossas ovelhas e vacas, como pediram, e partam. Roguem também por mim.» 33 Os egípcios insistiam com os israelitas para que deixassem rapidamente o país, dizendo que iam morrer todos. 34 Os israelitas pegaram na massa de pão, antes que fermentasse, envolveram as masseiras com roupa e levaram-nas aos ombros. 35 Além disso, seguindo as ordens de Moisés, pediram aos egípcios objectos de ouro e de prata e vestuário. 36 O SENHOR fez com que os egípcios dessem de boa-vontade tudo o que os israelitas lhes pediam, e assim os israelitas despojaram os egípcios. 37 Os israelitas saíram da cidade de Ramessés e foram a pé até Sucot. Eram cerca de seiscentos mil homens, sem contar as crianças. 38 Além disso, com eles ia muita outra gente e levaram grandes rebanhos e manadas de gado. 39 Como não tiveram tempo de preparar comida para a viagem, porque os egípcios os obrigavam a sair do país, cozeram a massa sem fermento, que tinham levado do Egipto, e fizeram pães. 40 Os filhos de Israel estiveram no Egipto quatrocentos e trinta anos; 41 e no mesmo dia em que completaram os quatrocentos e trinta anos, todas as tribos do povo do SENHOR saíram do Egipto. 42 Essa noite, em que o SENHOR vigiou a sua saída do Egipto, será a noite em que os israelitas farão vigília, de geração em geração, em honra do SENHOR. 43 O SENHOR disse a Moisés e a Aarão: «Esta é a lei sobre a Páscoa: Nenhum estrangeiro comerá da refeição da Páscoa, 44 mas o escravo comprado poderá comer dela, depois de lhe ser feita a circuncisão. 45 Nenhum estrangeiro, seja residente ou assalariado, poderá comer dela. 46 O cordeiro ou cabrito da Páscoa deverá ser comido dentro de casa. Não levarão para fora de casa nem um só pedaço de carne do animal sacrificado, nem lhe quebrarão os ossos. 47 Toda a comunidade de Israel celebrará a Páscoa. 48 Se um estrangeiro que viver convosco quiser celebrar a Páscoa, em honra do SENHOR, primeiro deverá fazer circuncidar todos os indivíduos do sexo masculino da sua família e só depois poderá celebrar a Páscoa, porque, nesse caso, será considerado como um cidadão israelita. Mas ninguém, que não esteja circuncidado, poderá comer da refeição da Páscoa. 49 A mesma lei será aplicada quer para os israelitas quer para os estrangeiros que vivam convosco.» 50 Os israelitas cumpriram tudo como o SENHOR tinha ordenado a Moisés e a Aarão. 51 E, naquele mesmo dia, o SENHOR fez sair do Egipto os israelitas como se fosse um exército.
 
Comentário:
Neste capítulo, como em toda a bíblia, está patente a incoerência de quem escreveu e a prova de que a bíblia é um CALHAMAÇO DE EMBUSTES.
Se deus existisse e fosse omnipresente, saberia quem estava dentro de cada casa e não precisava de marcar, com sangue a porta, das casa onde se encontravam os Israelitas.


sábado, Setembro 01, 2012

 

Padres e demónios (CRÓNICA)

Por Carlos Esperança:

É paradoxal serem os crentes infestados com demónios e os ateus imunes aos espíritos malignos.

A população demoníaca tem-se reduzido ao longo dos anos com o avanço da ciência, quiçá porque os espíritos das trevas se anteciparam no planeamento familiar ou, para arreliarem o Papa, foram pioneiros no uso da pílula e do preservativo.

Mais raros, mas não extintos, os espíritos malignos existem. Os livros sagrados dedicam várias páginas a esses agitadores de almas pias. O exorcismo é a única terapia aprovada pelo Vaticano, desde que o alvará para o seu exercício seja de um padre católico e, em casos graves, só com licença episcopal.

Em Portugal há um velho especialista, com 73 anos, a tirar espíritos de corpos sofridos, padre Humberto Gama, que se dedica aos difíceis combates com o demo, das 7 às 22 horas, aliviando a carteira e as possessões demoníacas a cerca de 20 possessos diários. Com consultório em Fátima e Mirandela já foi proibido de dizer missa e teve vários dissabores, um dos quais com um marido que discordou do sítio por onde extraiu os espíritos da amantíssima esposa, na convicção de que o tamanho e a quantidade não precisavam de tão larga e recôndita reentrância. Mas o que sabe um leigo de espíritos?! O padre Gama alegou que têm de sair por algum lado e disse-o convicto à TVI onde fez exorcismos em direto antes de atuar na RTP-1.

Depois, em Figueiró dos Vinhos, o padre José Rosa Gomes passou a receber na igreja, todas as semanas, centenas de fiéis a quem purificava e resolvia problemas. As mulheres, mais atreitas ao maligno, encontraram nas mãos do sacerdote a benzina que desencarde a alma e nas orações o demonífugo que as liberta das apoquentações do demo, desmaiando ao som de cânticos enquanto o mafarrico emigra.

O reverendo Rosa Gomes exorcizava das 21H30 à 01H00 da manhã durante a cerimónia da «Adoração do Santíssimo Sacramento», à quarta-feira na igreja de Figueiró e à sexta na do Beco. Vinham camionetas de vários pontos do país cheias de crentes para serem exorcizados. Após desmaios, as endemoninhadas acordavam havendo quem precisasse de horas e orações suplementares à porta fechada mas todas ficaram com a alma a luzir como prata depois de esfregada com solarina..

O bispo de Coimbra, o falecido Albino Cleto, manifestando algum receio, aconselhou cautela com algumas situações de ordem médica e preferia designar por «orações de cura» a liturgia do exorcismo. De resto, o «grande exorcismo» só pode ser praticado por padres previamente autorizados pelo bispo da diocese e, talvez, só se justifique para demónios resistentes aos pequenos e médios exorcismos. Não sei se o reverendo Rosa Gomes ainda se mantém no ramo ou se o atual bispo já lhe retirou o alvará.

Em Figueiró dos Vinhos, onde o povo andava arredado da missa, desde que o bispo de Coimbra despediu um padre estimado pelo povo, não por ter uma filha mas por assumir a paternidade, a fé voltou com os exorcismos e conquistou novos crentes.

Os cânticos do padre indiano James Manjajackal entoavam na igreja enquanto o colega Rosa Gomes rezava para afastar o demo. A oração e a cantoria têm um efeito sinérgico e não há demónios que suportem o barulho e a ameaça da cruz. Preferem emigrar.

Nota – Em março de 2011 continuavam os exorcismos em Figueiró dos Vinhos, segundo o DN de 7-03, pág. 16, relatados por Sónia Simões. Desconheço se o padre Rosa Gomes se mantém no ramo.

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